Ir para o conteúdo
Capa do artigo: Indicadores financeiros de agência: MRR, churn, CAC, ticket médio e margem por cliente

Indicadores financeiros de agência: MRR, churn, CAC, ticket médio e margem por cliente

Comercial e financeiroAtualizado em 13 min de leituraPor Mídiamente · VisionX

Cinco números bastam para ler a saúde financeira de uma agência: MRR (receita mensal recorrente), churn (clientes ou receita que saem), CAC (custo para conquistar um cliente), ticket médio e margem por cliente. Calculados todo mês e lidos junto de um DRE simples, eles mostram se o crescimento da agência dá lucro ou só trabalho.

Nesta página (8 partes)
  1. 1.MRR: a receita que se repete todo mês
  2. 2.Churn: o que sai pela porta dos fundos
  3. 3.CAC: quanto custa conquistar um cliente
  4. 4.Ticket médio: o valor típico de um cliente
  5. 5.Margem por cliente: quem sustenta e quem drena
  6. 6.O DRE simples que junta tudo
  7. 7.Como ler os cinco números em conjunto
  8. 8.Rotina mensal para acompanhar sem virar burocracia

Para saber se uma agência está saudável, você precisa de cinco números calculados todo mês: o MRR, que é a receita mensal recorrente; o churn, que mede o que saiu; o CAC, que é o custo de conquistar um cliente; o ticket médio; e a margem por cliente. Eles respondem, em conjunto, a perguntas que o extrato bancário não responde: quanto da receita é previsível, quanto estamos perdendo, quanto custa vender e quem dá lucro.

Agência quebra faturando. Entra dinheiro todo mês, o caixa parece normal e, no fim do ano, o resultado é pequeno, porque ninguém olhou o custo de atender cada cliente nem a taxa em que os clientes saem. Os indicadores abaixo existem para tirar essa névoa. Cada seção traz a definição, a fórmula, um exemplo ilustrativo e o que o número está dizendo.

MRR: a receita que se repete todo mês

MRR vem do inglês Monthly Recurring Revenue, a receita mensal recorrente. É a soma das mensalidades que seus clientes pagam todo mês por serviço contínuo. Projeto único não entra: um site de R$ 12.000 entregue em março é receita, mas não é recorrente, porque em abril ela não se repete sozinha.

Fórmula: MRR = soma das mensalidades ativas no mês.

Exemplo ilustrativo: uma agência com 10 clientes em contrato mensal, cinco de R$ 1.500, quatro de R$ 2.500 e um de R$ 4.000, tem MRR de R$ 7.500 mais R$ 10.000 mais R$ 4.000, ou seja, R$ 21.500. Esse é o valor que, em tese, entra todo mês sem a agência precisar vender nada novo.

O MRR é o indicador mais importante porque dá previsibilidade: ele diz quanto da folha, do aluguel e das ferramentas está pago antes de o mês começar. Compare o MRR com o seu custo fixo mensal. Se o MRR cobre o custo fixo, o resto é margem de segurança; se não cobre, a agência depende de projetos novos para existir.

Variações do MRR que valem acompanhar

  • MRR novo: mensalidades de clientes que entraram no mês.
  • MRR de expansão: aumento de mensalidade em clientes que já existiam, por reajuste ou serviço acrescentado.
  • MRR perdido: mensalidades de clientes que saíram ou reduziram o escopo.
  • MRR líquido do mês: novo mais expansão, menos perdido. É o crescimento real da base recorrente.

Na Mídiamente, o CRM registra o ticket e o MRR de cada negócio na venda, e o valor mensal do perfil do cliente alimenta a métrica de MRR do Financeiro. A cobrança recorrente, por sua vez, é uma assinatura mensal criada a partir de uma conta a receber. Mas a leitura do MRR como indicador de gestão é uma conta simples que você pode manter em qualquer planilha. O financeiro para agência detalha como organizar esses valores.

Churn: o que sai pela porta dos fundos

Churn é a taxa de perda: a proporção dos clientes, ou da receita, que foi embora num período. Em agência ele é o indicador que mais dói e menos se mede, porque cliente que sai costuma sair em silêncio, e a agência só nota quando a receita do mês cai.

TipoFórmulaO que mostra
Churn de clientesClientes perdidos no período ÷ clientes no início do períodoQuantos clientes a agência perde
Churn de receitaMRR perdido no período ÷ MRR no início do períodoQuanto dinheiro recorrente a agência perde

Exemplo ilustrativo: a agência começou o mês com 10 clientes e MRR de R$ 21.500. Saiu um cliente de R$ 2.500. O churn de clientes é 1 ÷ 10, ou 10%. O churn de receita é 2.500 ÷ 21.500, cerca de 11,6%. Os dois números diferem porque o cliente que saiu tinha ticket maior que a média. Perder um cliente grande pesa mais na receita do que na contagem.

O churn tem um efeito acumulado que engana. Um churn mensal que parece pequeno, repetido mês após mês, consome a base. Por isso você olha a taxa e também o tempo de vida do cliente: se a agência perde cerca de 5% dos clientes por mês, o tempo médio de permanência é de aproximadamente 20 meses (1 ÷ 0,05). É uma aproximação, mas ajuda a ver o que a taxa significa em duração de contrato.

Dashboard da Mídiamente com indicadores da agência: clientes ativos, receita recorrente, lucro, projeção de vendas e próximos vencimentos.
O Dashboard reúne os indicadores da agência. Dados de demonstração.

CAC: quanto custa conquistar um cliente

CAC é o Custo de Aquisição de Cliente: tudo o que a agência gastou para vender, dividido pelo número de clientes que conquistou. Em agência, o CAC costuma ficar escondido, porque o custo está na hora do sócio que faz reunião de venda, não numa conta de anúncios.

Fórmula: CAC = custos de vendas e marketing no período ÷ clientes novos no período.

Entram no custo as ferramentas comerciais, a mídia que a agência paga para se divulgar, comissões e a parte do salário (ou das horas do sócio) dedicada a prospectar e fazer propostas. Esse último item é o mais esquecido e o mais relevante.

Exemplo ilustrativo: num mês, a agência gastou R$ 1.200 em anúncios e ferramentas comerciais, mais R$ 2.800 de custo das horas do sócio em prospecção e propostas, num total de R$ 4.000. Fechou 2 clientes novos. O CAC é 4.000 ÷ 2, ou seja, R$ 2.000 por cliente.

O CAC sozinho não diz nada: ele precisa ser comparado com o que o cliente devolve. Duas comparações ajudam, ambas simples. A primeira é o tempo de retorno: quantos meses de margem do cliente pagam o CAC. A segunda é o valor que o cliente gera durante a permanência. Os dois dependem da margem, que é o último indicador desta lista.

  • Retorno do CAC (em meses): CAC ÷ margem mensal por cliente. No exemplo, se cada cliente novo deixa R$ 800 de margem por mês, o CAC de R$ 2.000 se paga em 2,5 meses.
  • Valor do cliente na permanência: margem mensal × meses de permanência. Com margem de R$ 800 e permanência de 20 meses, são R$ 16.000, valor ilustrativo que compara com o CAC de R$ 2.000.

O sistema não calcula o CAC por você: ele depende de custos comerciais que você registra por fora. Mas o funil do CRM para agência ajuda com o denominador, ao mostrar quantos negócios foram fechados e de qual canal de origem vieram, o que permite calcular um CAC por canal.

Ticket médio: o valor típico de um cliente

Ticket médio é a receita média por cliente. Em agência é útil por dois motivos: orienta o preço que a venda precisa praticar e mostra se a carteira está concentrada ou diluída.

Fórmula: ticket médio = receita do período ÷ número de clientes ativos no período.

No exemplo do MRR de R$ 21.500 com 10 clientes, o ticket médio é R$ 2.150. A média, porém, esconde a distribuição. Num cenário ilustrativo diferente, dois clientes de R$ 10.000 e oito de R$ 500 dariam MRR de R$ 24.000 e ticket médio de R$ 2.400, mas seria uma carteira de risco muito diferente. Por isso olhe também a concentração: qual a fatia do MRR que vem do maior cliente? Se perder um cliente derruba um quarto da receita, a agência depende demais dele.

Margem por cliente: quem sustenta e quem drena

Margem por cliente é o que sobra da mensalidade depois de descontar o custo de atender aquele cliente. É o indicador mais difícil de calcular e o que mais revela. O cliente que dá prejuízo quase nunca é o que paga menos: é o que paga razoavelmente bem e consome o dobro de horas.

Fórmula: margem por cliente = (mensalidade − custo direto do cliente) ÷ mensalidade.

O custo direto é a soma do que foi gasto especificamente com aquele cliente: o custo das horas da equipe dedicadas à conta, ferramentas e fornecedores pagos por ele, e a mídia quando a agência a adianta. Para as horas, você precisa de algum registro de tempo. A Mídiamente não tem apontamento de horas, então esse controle fica por fora, em planilha ou outra ferramenta.

Cliente (ilustrativo)MensalidadeCusto diretoMargem em R$Margem em %
AR$ 3.000R$ 1.200R$ 1.80060%
BR$ 2.500R$ 1.500R$ 1.00040%
CR$ 4.000R$ 3.800R$ 2005%
DR$ 1.500R$ 600R$ 90060%

Na tabela ilustrativa, o cliente C tem a maior mensalidade e quase nenhuma margem. Sem esta conta, ele pareceria o melhor cliente da carteira. Com ela, a conversa muda: reajustar, limitar escopo ou encerrar. E o cliente D, pequeno, é tão rentável em percentual quanto o A. O percentual e o valor em reais contam histórias diferentes, e as duas valem.

Atenção: o custo direto não inclui o custo fixo da agência (aluguel, sócios, contabilidade). Ele mede a contribuição que o cliente dá para pagar essa estrutura. Se a soma das margens dos clientes não cobre o custo fixo, a agência dá prejuízo, por melhores que sejam as margens individuais.

O DRE simples que junta tudo

O DRE, demonstrativo de resultado do exercício, é a conta que responde: depois de pagar tudo, sobrou? Para uma agência, uma versão simples em cinco linhas já serve para decidir. O DRE mostra receita, custo, despesa e a margem real do período, e a estrutura abaixo é a mesma lógica que você pode manter em planilha.

LinhaO que entraExemplo ilustrativo
(+) ReceitaMensalidades e projetos recebidos no mêsR$ 30.000
(−) Custos diretosEquipe de produção, freelancers, ferramentas e mídia ligadas aos clientesR$ 14.000
(=) Margem de contribuiçãoReceita menos custos diretosR$ 16.000
(−) Despesas fixasAluguel, administrativo, comercial, sistemas, contabilidadeR$ 9.000
(−) ImpostosConforme o regime tributário da agência, a definir com seu contadorR$ 2.500
(=) ResultadoO que sobra para o caixa e para os sóciosR$ 4.500

No exemplo, a agência faturou R$ 30.000 e ficou com R$ 4.500, ou 15% da receita. O DRE separa duas coisas que a conversa do dia a dia mistura: faturamento e lucro. Ele também deixa clara a ordem em que as decisões afetam o resultado: preço e escopo agem sobre a margem de contribuição; estrutura e contratações agem sobre as despesas fixas.

Como ler os cinco números em conjunto

Cada indicador sozinho engana. O MRR alto com churn alto é balde furado. O CAC baixo com margem baixa é cliente barato de conquistar e caro de atender. A leitura útil cruza os números em perguntas.

PerguntaIndicadores que respondemSinal de alerta
Minha receita é previsível?MRR contra custo fixoMRR que não cobre o custo fixo
Estou perdendo clientes demais?Churn de clientes e de receitaChurn que anula o MRR novo
Vender está caro?CAC e retorno do CAC em mesesRetorno do CAC maior que a permanência típica
Minha carteira é saudável?Ticket médio e concentração do MRRUm cliente com fatia grande da receita
Quem dá lucro?Margem por clienteMensalidade alta com margem perto de zero
Sobrou dinheiro?DREResultado que encolhe com o faturamento crescendo

Rotina mensal para acompanhar sem virar burocracia

  1. 1

    Feche o mês em uma data fixa

    Escolha um dia (por exemplo, o quinto dia útil) para consolidar os números do mês anterior. Fixar a data evita que a análise vire a tarefa que fica para depois.

  2. 2

    Atualize a lista de mensalidades ativas

    Quem entrou, quem saiu, quem mudou de valor. Dela saem o MRR, o churn e o ticket médio.

  3. 3

    Registre os custos comerciais do mês

    Mídia própria, ferramentas, comissões e horas do sócio em venda. Deles sai o CAC.

  4. 4

    Calcule a margem por cliente

    Com as horas da equipe por conta e os custos diretos. Comece pelos três maiores clientes, se a coleta for trabalhosa.

  5. 5

    Monte o DRE simples

    Receita, custos diretos, despesas fixas, impostos e resultado. Compare com o mês anterior.

  6. 6

    Escreva uma decisão

    Cada fechamento termina com uma ação: reajustar um cliente, rever o escopo de outro, investir em um canal de venda. Número sem decisão é só relatório.

Quando o hábito pega, o fechamento leva uma hora ou duas, e as perguntas deixam de ser “será que estamos bem?” para virar “o que fazemos com este número?”. Para transformar a inadimplência também em indicador, veja como lidar com cliente inadimplente, e a central de dúvidas e o glossário explicam os termos com mais calma.

Cadastre as mensalidades dos clientes e os custos fixos da agência: com esses dois conjuntos o DRE já começa a mostrar a margem real. O plano inicial é gratuito.

Criar conta grátis

Perguntas frequentes

O que é MRR e como calcular em uma agência de marketing?

MRR é a receita mensal recorrente: a soma das mensalidades ativas de serviços contínuos, como social media e gestão de tráfego. Projetos únicos não entram, porque não se repetem sozinhos no mês seguinte. Se a agência tem dez clientes em contrato mensal, some o valor de cada mensalidade e o resultado é o MRR do mês.

Como calcular o churn de uma agência?

Há duas formas. O churn de clientes divide os clientes perdidos no período pelos clientes que existiam no início. O churn de receita divide o MRR perdido pelo MRR do início. As duas diferem quando o cliente que sai tem ticket diferente da média, e vale acompanhar ambas.

O que entra no CAC de uma agência?

Todo o custo de vender: mídia e ferramentas comerciais, comissões e as horas de quem prospecta e faz propostas, inclusive o sócio. O item esquecido é a hora do sócio, e deixá-lo de fora faz o CAC parecer menor do que é. Divida esse total pelos clientes novos do mesmo período.

Qual é um bom ticket médio para agência de marketing?

Não existe valor certo universal, porque depende do serviço, da região e do público atendido. O que importa é o ticket cobrir o custo de atender e deixar margem, e a carteira não depender de um cliente só. Calcule o seu e compare com a margem por cliente, e não com a média de terceiros.

Preciso de DRE se já tenho contador?

Sim, porque servem a fins diferentes. O contador cuida da obrigação fiscal e contábil; o DRE gerencial serve para decidir preço, contratação e aceite de cliente durante o mês, com os números da operação. Os dois se complementam e nenhum substitui o outro.

Próximo passo

Leia também

Coloque isso para rodar sozinho

A Mídiamente junta clientes, demandas, calendário editorial, comercial e financeiro numa operação só, com aprovação do cliente por link. O plano inicial é gratuito.

Revisado em pela equipe da Mídiamente.